05/01/2008

 

AFONSO DO ROSÁRIO

N: 24-06-1931

F: 29-12-2007

 

Nasceu a 24 de Junho de 1931, em Lamosa. Diz que nasceu às 18h00, não porque lhe tivesse contado, mas porque a curiosidade o levou a espreitar o livro de registos quando foi a Sernancelhe tirar o Bilhete de Identidade. Nasceu e viveu sempre na mesma casa, junto ao Largo da Capela e era vizinho do antigo forno comunitário da aldeia, entretanto demolido.

Com uma memória impressionante, Afonso do Rosário lembrava-se ainda das professoras que lhe deram a instrução e recorda até a data do exame da terceira classe, a 8 de Julho de 1942. “Deram-me as medidas de um lagar de azeite e o preço do litro, para saber quanto dinheiro conseguiria ganhar o proprietário”, lembrava com o orgulho de quem acertou nas contas.

A quarta classe foi frequentada já em adulto, com uma professora de Lamas que tinha exactamente a sua idade. Fez o exame a 26 de Março de 1956 e contava que apenas deu um erro no ditado, porque escreveu a palavra “mãe” com “i”, com base naquilo que tinha aprendido muitos anos antes, quando frequentara os primeiros anos da escola. “Mas matemática é que era comigo”, garantia Afonso do Rosário, que “até sabia cubicar uma pipa”.

Filho de mãe solteira, Afonso do Rosário não teve irmãos e foi criado pela mãe e pela tia. Esteve quase a emigrar para o Brasil, mas o médico não lhe assinou os documentos por causa da deformação genética que herdou da família e que lhe dobrou as costas desde os 16 anos. “Ainda disse à minha mãe para ir ela na frente, que depois eu já poderia embarcar, mas ela não quis deixar-me cá sozinho”, recorda. Se tivesse ido para o Brasil, o destino estava escolhido. “Um tio meu tinha lá um restaurante e íamos para lá trabalhar. A minha mãe era muito boa cozinheira”. Mas não foram e ficaram em Lamosa.

Afonso do Rosário casou a 13 de Fevereiro de 1965 com Piedade Ferreira e teve dez filhos e cinco netos. Por causa deles venceu o medo e andou quatro vezes de avião. Foi a Zurique, na Suíça, e a Londres, na Inglaterra. “Vi o palácio da rainha e o relógio do sol”.

Depois da morte da esposa, em 2003, começou a frequentar o Centro Social e Paroquial de Lamosa, à hora das refeições. De dia estava no lar, com grande parte dos vizinhos, e passeava pelas terras. À noite dormia em sua casa.

Faleceu a 29 de Dezembro de 2007.

                                                                   

 

 

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