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N:
24-06-1931
F:
29-12-2007
Nasceu
a 24 de Junho de 1931, em Lamosa. Diz que nasceu às 18h00, não
porque lhe tivesse contado, mas porque a curiosidade o levou a
espreitar o livro de registos quando foi a Sernancelhe tirar o
Bilhete de Identidade. Nasceu e viveu sempre na mesma casa,
junto ao Largo da Capela e era vizinho do antigo forno comunitário
da aldeia, entretanto demolido.
Com
uma memória impressionante, Afonso do Rosário lembrava-se
ainda das professoras que lhe deram a instrução e recorda até
a data do exame da terceira classe, a 8 de Julho de 1942.
“Deram-me as medidas de um lagar de azeite e o preço do
litro, para saber quanto dinheiro conseguiria ganhar o
proprietário”, lembrava com o orgulho de quem acertou nas
contas.
A
quarta classe foi frequentada já em adulto, com uma
professora de Lamas que tinha exactamente a sua idade. Fez o
exame a 26 de Março de 1956 e contava que apenas deu um erro
no ditado, porque escreveu a palavra “mãe” com “i”,
com base naquilo que tinha aprendido muitos anos antes, quando
frequentara os primeiros anos da escola. “Mas matemática é
que era comigo”, garantia Afonso do Rosário, que “até
sabia cubicar uma pipa”.
Filho
de mãe solteira, Afonso do Rosário não teve irmãos e foi
criado pela mãe e pela tia. Esteve quase a emigrar para o
Brasil, mas o médico não lhe assinou os documentos por causa
da deformação genética que herdou da família e que lhe
dobrou as costas desde os 16 anos. “Ainda disse à minha mãe
para ir ela na frente, que depois eu já poderia embarcar, mas
ela não quis deixar-me cá sozinho”, recorda. Se tivesse
ido para o Brasil, o destino estava escolhido. “Um tio meu
tinha lá um restaurante e íamos para lá trabalhar. A minha
mãe era muito boa cozinheira”. Mas não foram e ficaram em
Lamosa.
Afonso
do Rosário casou a 13 de Fevereiro de 1965 com Piedade
Ferreira e teve dez filhos e cinco netos. Por causa deles
venceu o medo e andou quatro vezes de avião. Foi a Zurique,
na Suíça, e a Londres, na Inglaterra. “Vi o palácio da
rainha e o relógio do sol”.
Depois
da morte da esposa, em 2003, começou a frequentar o Centro
Social e Paroquial de Lamosa, à hora das refeições. De dia
estava no lar, com grande parte dos vizinhos, e passeava pelas
terras. À noite dormia em sua casa.
Faleceu
a 29 de Dezembro de 2007.
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